Barba azul

é curioso. o título do post é o da obra anexa.também é do primeiro catálogo.só que da segunda exposição.desde essa época eu sabia que minha obra tinha uma contradição implícita herdada da minha formação: metade de mim tinha influência direta dos concretistas, afinal eu era o discípulo predileto do maurício nogueira lima, concretista histórico, racionalista,professor da escola de arquitetura da usp, a fau.metade de mim era expressionista abstrato.bebia direto nas fontes da modernidade européia e brasileira, que não se conformava com nenhuma rigidez.nehum limite definido para o olhar.mas se nos detivermos na observação deste trabalho e compararmos com o de cima,dá pra perceber uma estrutura racional como base de uma abordagem mais emocional.como se o raional desse estrutura pra soltar a franga.
maurício, que inclusive assina um dos dois textos do catálogo chama a atenção para este modo de ver.reproduzo o texto do maurício na íntegra:
"identidade.
conheci odilon cavalcanti no final da década de 60, quando frequentava nosso atelier, afim de se aperfeiçoar em desenho, com o artista gilberto salvador e enfrentar o vestibular da faculdade de arquitetura.
naquela ocasião, ainda muito jovem, odilon passava horas investigando arte, principalmente nossos trabalhos, o que foram de alguma forma suas primeiras influências principalmente no tocante á organização do espaço, no uso consciente da cor e na estrutura construtiva da organização formal, enfim, todos os problemas visuais que nós, vera ilce, eu e gilberto enfrntávamos ao criar.
odilon aprendeu muito, como também entro na tão ambicionada faculdade de arquitetura.mas logo notou qu não era bem aquele aprendizado que sonhara.ele queria e desejava mesmo era criar imagens. e criou.
no início da década de setenta odilon iniciou sua carreira de pintor, participando dos principais salões oficiais do rio e são paulo, tendo por sinal, recebido mensões elogiosas, principalmente do pessoal ligado á crítica criativa.
seus trabalhos, naquela época, mostravam perfeitamente seu primeiro contato artístico, quefoi: o conhecimento e o convívio com a arte construtiva que fazíamos. a composição sempre bem estruturada de seus quadros, além do uso equilibrado das cores, buscava sempre, como resultado visual o mínimo de formas para o máximo de informação.entretanto a época era de crise, também no campo das artes e, evidentemente, odilon, ainda muito jovem, sentiu todos os problemas que uma crise deste tipo ocasiona.
para poder se manter e pintar, coisas difíceis num começo de carreira,odilon procurou trabalhar no campo das artes gráficas, ligado á comunicação publicitária.
foram anos, praticamente toda a década de 70, que odilon, além de pintar, também criava campanhas promocionais visuais para a publicidade. foi justamente aí, e isto eu julgo muito importante que odilon desenvolveu uma habilidade e uma técnica gráfica dignas de um mestre do desenho criativo.este aprendisado e esta prática ligados ao conhecimento de problemas sintáticos da comunicação visual, são, ao meu ver, os pontos altos da arte atual de odilon.
seus recentes trabalhos, que serão mostrados nestas duas exposições (são paulo e rio), denotam um artista extremamente sensível no uso das cores e é aí que seu produto atinge um nível gratificante como obra de arte visual. não quero dizer com isso em absoluto, que em uma leitura conscienciosa dos seus trabalhos os elementos da linguagem mais simbólicos, com leves conotações figurativas, não sejam importantes. são. como também as areas tratadas com elementos de grafismo aleatórios de belíssima textura,
ao examinar em todo seu conjunto o trabalho de odilon cavalcanti pude observar o seu interesse e sua devoção pela busca da claridade, isto é, na criação da luz e seus jogos cromáticos emocionantes. odilon quase sempre parte do escuro para o claro, criando luz a partir dos tons azulados do cobalto e turqueza e, é neste momento que começa a festa para os olhos,quando ele funde em áreas determinadas geometricamente e outras informais:os verdes os magentas, os rosas e os laranjas, algumas vezes cobertos com sutis veladuras, onde, tênues figuras em sépia escura se organizam no espaço em composição, determinando assim o aspecto semântico da obra. com isto o trabalho do artista chega a contagiar o espectador na busca de um elemento surpresa, de repertório conhecido, que é justamente quando o trabalho se completa:obra/espectador.
maurício nogueira lima
outubro de 1984."

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