Le voyer.

aquele que tem no olhar o prazer.
só dando espaço para a imantação simbólica.
só relacionando estéticas. só perecebendo no mundo o que lá ainda não está.
só introduzindo ao universo o que lá ainda não existia.
só erotizando as relacões com o mundo e tendo prazer em ser, antes de conhecer.
não há outra forma de construir uma poética.
não há outra estética: não se pode viver sem ética sem virar pó.
"le voyer" o quadro que encerrava o catálogo e a exposição de são paulo era um pastel sobre papel ingres, cor de caramelo. o 13º da 1a exposição.
nesse quadro, a construção é 90 % da obra, e, no entanto, a força do olhar na área azul - que ocupa talvez menos de 10% - faz com que a atenção do fruidor se concentre, como só um voyer é capaz. vendo essas obras juntas novamente,
tenho a percepção um tanto tardia, de como tudo isso fala do exercício de uma sexualidade que ultrapassa, em muito a chamada vida sexual propriamente dita. estou falando de uma sexualidade do existir como corpo, de sensação de existência, presença, ausência,(dois outros títulos da mostra seguinte, constante ainda neste catálogo), como cansei de apontar intuitivamente nos títulos das obras, na maneira de encadear um pensamento plástico, uma proposta de leitura dos diversos conjuntos e séries de obras.
preferível assim: antes tatear o mundo com o inconsciente que a tentativa inútil de limitá-lo por consciência.


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