construções.

cinco meses depois das duas exposições no studio josé duaurte de aguiar, estava mudando com toda minha família para belém do pará. eu tinha, na época das duas primeiras exposições, um studio de artes gráficas e comunicação, o "odilon cavalcanti criação e arte" que atendia grandes agências de publicidade realizando jobs em atrazo, emergências, peças que "empacavam" nas agências, este tipo de demanda. era um pronto socorro, uma emergência que dava muito movimento nos finais de semana. atendi uma demanda de um mês de free em belém para a agência do maior grupo empresarial de lá, na época, o grupo belauto. depois deste mês, ficamos sendo assediados pelo presidente do grupo, jair bernadino que acabou comprando o studio e nos levou, eu e malouzinha, como sócios na agência do grupo. estou contando isso porque é muito importante para mim discutir o exercício destas duas profissões paralelas e o que esse exercício significou em minha vida e em minhas carreiras, tando de artista gráfico como de artista plástico. entrei em propaganda para poder tirar o sustento de alguma coisa que não a minha arte. a idéia era que meu trabalho em arte pudesse se desenvolver longe das pressões de mercado, da pressão de agradar a alguém mais que a mim mesmo para eu poder sobreviver do meu trabalho de maneira que o trabalho sobreviva à mim e ao mercado. isso me deu régua e compasso de um lado mas o preconceito do mercado era muito forte. medo,talvez (principalmente dos artistas já consagrados ou a caminho disso), que a compreensão de mercado que o publicitário tem que ter se sobreponha à obra, exata e irônicamente o que me fez ser publicitário só que pelo viés contrário. assim, na contramão dos jogos de poder e grana, fui fazendo o o trabalho se consolidar. só que neste processo v. acaba entrando num círculo neurótico de viver entre escolhas como trabalho x carreira; vida mundana x vida interior; mercado x atelier. este é um processo que incomoda muita gente boa. o artista de muito sucesso que melhor soube cuidar disso foi picasso. o que talvez tenha lidado pior foi miró, que no auge do sucesso, indignado com a valorização especulativa de alguns marchands sobre determinados segmentos de sua obra tocou fogo ritualisticamente em várias delas, fato que, para sua surpresas as valorizaram ainda mais. há uma anedota sobre picasso que é exatamente o outro lado da moeda. autorizado finalmente a entrar no atelier do artista um padre que a meses esperava esta oportunidade presencia o artista amassar e arremessar ao lixo um desenho que não o satisfez e exclama:-mestre, posso pegar para mim. e picasso do auto de sua empáfia de quem sabia valorizar cada obra e cada gesto: -10.000 dóllares!


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