forma.

forma I é o nome da obra. forma humana de gata siamesa revelada pela luz fragmentada em reflexos de arco-íris de um espelho de cristal lapidado. forma formada no sonho, memória de algum desejo tão secreto que a mim mesmo se oculta. sei nada sobre mim. e “ainda é cedo amor”, toca cartola no cd da malouzinha e “em pouco tempo não serás mais o que és”. e eu aqui tentando me conhecer de tão distante. sou o próprio distanciamento histórico que “ herdará só o cinismo” de esquecer a vida e preservar o documento: o que está documentado é o que fica. assim a mentira se perpetua com o rabo de fora dos nossos interesses escusos que reproduzem os desejos inconfessos. quero não. posso nem saber se é, mas se penso, já tendo para um lado que todo penso é torto como me ensinou maninho de mansinho. é aprendi o que pude. mais não pode. sim ou não. como um computador, é binário o plebiscito sobre as armas. mas ambíguo como os becos escuros das intenções ocultas: o não é sim, o sim é não.
e por livre, a mente vareia, vaga e imprecisa como uma onda no mar da inconsciência. e mente, a mente: aumente um conto e ganhe um ponto com o sistema, parceiro no acordo tácito da corrupção implícita. quero não. prefiro a poesia que não, nunca mente: fantasia: vou pro xingu. formaI é um paste sobre papel ingres preto.tem 50x70cm.


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